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o satanás das assinaturas de ia (ou: qual cancelar?)

todo mundo me pergunta qual ia usar. ninguém me pergunta qual cancelar. uma conta honesta sobre viver pagando assinatura demais.

essa semana foi lançamento atrás de lançamento: um modelo novo na terça, outro na quarta, uma versão melhor na quinta. e todo mundo me perguntando a mesma coisa: qual usar?

ninguém me perguntou qual cancelar.

a semana dos lançamentos gigantes

só pra dar o tamanho: em uma semana saíram gpt-6 astra, gemini 3.8 flash, claude fable 5.1 e uma nova geração de modelo de imagem. quatro anúncios de empresas diferentes, todos tratados como o dia mais importante da história da computação.

e eu aqui, com as mesmas dezessete assinaturas. sendo que eu uso duas.

não tô exagerando por efeito. em algum momento dos últimos dois anos, cada lançamento foi tratado como "talvez isso substitua o que você paga". e eu, que uso ia como ferramenta de trabalho, fui adicionando. testa um mês. cancela se não usar. só que nunca cancela.

a conta que ninguém faz

vamos falar de dinheiro, porque é onde dói.

um modelo de ia custa, em média, entre vinte e cem dólares por mês. se você tem cinco, são cem a quinhentos. se você tem dezessete — que é o meu caso, com vergonha — daria pra alugar uma sala comercial.

e o retorno? metade delas você abriu duas vezes esse mês. você paga pela paz de saber que "se precisar, tá lá". é o mesmo mecanismo da academia: não é pelo uso, é pela fantasia de uso.

o que a saturação faz com a cabeça

o efeito colateral ninguém mede: a ansiedade de ficar pra trás. todo lançamento vem com o mesmo subtexto — "se você não testar isso, vai perder o bonde".

só que o bonde passa todo dia. é essa a novidade. quando a oferta satura, não saber uma ferramenta nova deixa de ser incapacidade e vira estratégia.

eu passei a fazer um exercício simples: quando sai um lançamento, eu não testo. eu anoto. e espero trinta dias. se alguém ainda estiver falando disso depois de um mês, aí eu vejo. adivinha: quase nada sobrevive trinta dias.

o que vale pagar de verdade

três coisas. uma ferramenta de texto que eu uso todo dia. uma de imagem, pra trabalho visual. e o que entra na identidade do que eu faço — o resto é matéria-prima que existe de graça.

o critério não é qual é a melhor. é qual eu abro quando ninguém tá mandando. assinatura boa é a que tem cicatriz de uso.

e não é sobre corte radical de custo. é sobre parar de pagar aluguel emocional esperando a ferramenta certa que vai, finalmente, trabalhar por você. spoiler: ela nunca vai.

fecho

todo dia tem lançamento. todo mês tem boleto.

no fim das contas, o satanás não é a assinatura. é a esperança de que a próxima resolve. a próxima não resolve. a próxima só cobra.

se você se viu na lista das dezessete, o plano é curto: abre os dois próximos posts e para de pagar o resto. eu já sei qual é o meu.

se quiser ver como eu decido o que entra e o que sai, o sistema que eu uso pra escolher ferramenta tá aqui do lado.

perguntas frequentes

vale a pena assinar várias ias ao mesmo tempo?

só se você usa várias pra coisas diferentes — e mesmo aí, a maioria não. para 95% das pessoas, uma ferramenta de texto bem usada resolve mais do que cinco mal abertas. quantidade não é capacidade.

como escolher o que cancelar?

truque de trinta dias: pare de usar uma por vez. se você não sentiu falta em um mês, cancela. se sentiu, já sabe o que fica. decida por falta, não por medo de perder.